E.E. Índia
Vanuíre
Disciplina: Geografia – Prof. (a): Cristiane
Rocha
Ano/Série: 2º – Turma:
A, B, C e D
Nº de aulas: 2
17/06/2020
Tema: Os Circuitos de
Produção e O Espaço Industrial
Objetivo: Identificar elementos representativos
das diferentes fases da industrialização brasileira;
Habilidades: Valorizar e utilizar os conhecimentos
historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital
para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção
de uma sociedade justa, democrática e inclusiva;
Estratégia:
Leitura e análise do texto, atividades Apostila página 61 a 63, Atividade 1: a,
b, c e d
Queridos alunos para aprofundar os estudos
sobre a Industrialização Brasileira proponho que assistam o vídeo do centro de
mídias https://youtu.be/3gydNgSw3jk após realizem a leitura e análise do texto, e atividades
na apostila. As atividades deverão ser realizadas na apostila ou caderno, neste
momento não é necessário enviar as atividades para o professor.
INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA: VARGAS E JK
As atividades econômicas
brasileiras eram espacialmente dispersas pelo território e praticamente
autônomas até a década de 1930. Havia uma organização espacial de arquipélagos
econômicos regionais, uma vez que a maior parte das indústrias de bens de consumo
existentes à época (geralmente ligadas aos setores alimentício e têxtil)
escoavam boa parte de sua produção em escala regional, com poucas mercadorias
sendo destinadas a outras regiões do país
FASE DE SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES
Em 1929, ano da crise econômica
mundial decorrente da quebra da bolsa de valores de Nova York, a economia
brasileira ainda era largamente dependente da exportação de gêneros agrícolas –
principalmente café. Porém, a Grande Depressão nos EUA reduziu muito a demanda
pelo café brasileiro, o que gerou uma crise do café no Brasil e promoveu
profundas transformações políticas em nosso país. A queda nos preços do café e
a quebra das indústrias americanas dificultou a importação de bens de consumo,
fazendo com que os preços dos produtos fabricados no Brasil se tornassem, pela
primeira vez na história, mais vantajosos que os dos importados.
Ainda que a agricultura tenha
continuado a ser protagonista nas exportações brasileiras até a década de 1970,
a produção de café perdeu importância, já que houve uma diversificação na pauta
de produtos agrícolas exportados. Além disso, a crise do café promoveu uma
crise política no país, que culminou na Revolução de 1930. Nesse momento, as
oligarquias paulistas e mineiras perderam poder, abrindo espaço para a chegada
do gaúcho Getúlio Vargas à presidência, um político nacionalista e ligado a
grupos favoráveis ao processo de industrialização.
Vargas foi o responsável por
iniciar efetivamente uma política industrial de substituição de importações.
Seu governo priorizou a implantação de indústrias estatais para atuarem em
setores estratégicos, especialmente na área de bens de produção e de
infraestrutura. A implantação desses setores dependia de alto investimento
inicial e possuía um retorno de capital lento, o que os tornava
desinteressantes ao capital privado nacional e ao estrangeiro.
Com efeito, a ação estatal foi
fundamental para alavancar a indústria brasileira neste período. Além de
fornecer os bens de produção e os serviços de que os industriais privados
necessitavam em suas indústrias de bens de consumo, o Estado cobrava por isso
preços mais baixos que aqueles que seriam cobrados pelas empresas privadas,
fossem elas nacionais ou estrangeiras. Logo, nota-se o caráter fortemente
protecionista e nacionalista da política industrial aplicada à época.
SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES
Entende-se por substituição de importações o início da
produção nacional de um produto antes importado. Implica a mudança qualitativa
no comércio exterior do país, uma vez que aumenta também a importação de
máquinas e equipamentos para a produção fabril. Segundo a Cepal (Comissão
Econômica para a América Latina), o relacionamento dos países exportadores de
matérias-primas com os países desenvolvidos era caracterizado pela
“deterioração das relações de troca”, ou seja, os preços dos produtos primários
se depreciavam em relação aos dos produtos industrializados. Logo, a saída
seria adotar um modelo de industrialização por substituição de importações, com
o objetivo de atender ao mercado interno, construindo um processo de
desenvolvimento
“voltado pra dentro”.
Até 1930, a precária produção
industrial nacional possuía uma enorme dependência de matérias-primas e
máquinas compradas no exterior. Desta forma, a Grande Depressão foi o momento
de ruptura da economia brasileira com o modelo primário-exportador. Ou seja,
ainda que a expressão substituição de importações possa ser usada desde que a
primeira unidade fabril se instalou no Brasil, foi apenas no governo de Getúlio
Vargas que teve início uma política industrial baseada em medidas fiscais e
cambiais que visavam a
substituição de produtos importados por bens fabricados em território
brasileiro. O saldo desse processo foi a rápida ascensão da indústria, que
passa a ser o principal fator dinâmico da economia brasileira. Era, contudo, um
processo de industrialização ainda incompleto, na medida em que os setores
produtores de bens de capital e bens intermediários ainda eram pouco
desenvolvidos no país.
Até os anos 1930, as indústrias
em território brasileiro eram, com poucas exceções, do setor de bens de consumo
não duráveis, tendo o capital privado nacional como a maior fonte dos seus
recursos. Já durante o governo Vargas, foi a vez do capital estatal se tornar
financiador das indústrias.
Cabe destacar que, até a crise de
1929, as ideias liberais eram predominantes no mundo capitalista, e
acreditava-se que o livre comércio e as forças do mercado seriam capazes por si
só de promover maior crescimento da economia e desenvolvimento. Contudo, a
depressão americana deu início a uma época em que os governos passaram a
intervir intensamente na economia, seguindo um conjunto de práticas
recomendadas pelo keynesianismo.
Portanto, durante os diferentes
períodos em que esteve no poder (1930-1945 e 1951-1954), Vargas levou à frente
uma política de intervencionismo estatal na qual o dinheiro público permitiu a
criação de estatais, que visavam suprir o país com bens de produção e bens de
capital, incluindo matéria-prima, minérios, combustíveis, eletricidade,
veículos, máquinas, motores e siderurgia. Dentre as estatais criadas no
período, destacam-
se as seguintes
empresas: Companhia Vale do Rio Doce (CRVD); Companhia Hidrelétrica do São
Francisco (Chesf); Fábrica Nacional de Motores (FNM); Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN); Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); e
Petrobras.
A ATUAÇÃO DO ESTADO NA INDUSTRIALIZAÇÃO
As décadas posteriores ao fim da
Segunda Guerra Mundial ficaram conhecidas como anos dourados do capitalismo, e
foram marcadas por um expressivo crescimento econômico nas sociedades
ocidentais. Durante este período, as políticas públicas estavam fortemente
influenciadas pela ideologia keynesiana, em que o Estado é percebido como
agente político e econômico apto a conduzir projetos de desenvolvimento capazes
de expandir a produção e o emprego, permitindo superar desequilíbrios espaciais
e as fases recessivas dos ciclos econômicos inerentes ao sistema capitalista.
É nesse cenário que o
planejamento estatal, até então considerado uma característica exclusiva do
sistema socialista, passa a ser aceito e se torna uma prática comum nos países
capitalistas. Partilhava-se da ideia de que o desenvolvimento econômico era um
objetivo comum a todos, e que o Estado era o principal ator desse processo,
atuando como investidor, regulador e protetor do mercado interno e da indústria
nacional. O pensamento da Cepal dominava as análises sobre as economias
latinoamericanas e orientava muitas das propostas de política econômica nesse
período, nas quais predominava a visão de que o desenvolvimento deveria ser
alcançado através da industrialização e da ação do Estado de Bem Estar Social.
A maior parte das novas
indústrias criadas no período Vargas foram instaladas no eixo geográfico SP-RJ,
aprofundando a concentração fabril já existente na região desde meados do
século XIX, em consonância com o típico modelo de economia de aglomeração. Tal
concentração industrial no Sudeste cresceu ainda mais no período de governo de
Juscelino Kubitschek (1956-1961), político responsável por intensificar a
política de substituição de importações através de uma fórmula
nacionaldesenvolvimentista, diferente da de Getúlio.
Com base em outra ideologia
político-econômica, o projeto de Kubitschek previa o fomento a uma economia
mista, na qual o Estado continuaria a intervir diretamente na economia através
de empresas estatais, mas prioritariamente nas áreas em que faltasse interesse
ou recursos ao setor privado. Ao mesmo tempo, defendia-se que o capital privado
fosse estimulado através de incentivos estatais. Reconhecia-se inclusive que o
capital privado estrangeiro poderia ser importante na economia brasileira, mas
que sua entrada no país deveria ocorrer sob regulação estatal. Logo, pode-se
afirmar que Juscelino retomou, com ainda mais intensidade, uma política com
características mais liberais que já havia sido experimentada no governo Dutra
(1951-1954), durante o breve período em que Vargas e sua política nacionalista
estiveram fora do comando da economia brasileira.
Ainda que tenha terminado seu
governo com enormes avanços na área fabril, muitos são os autores que afirmam
que a industrialização sob o governo Vargas se manteve restrita, uma vez que
nem o governo, através do capital estatal, e muito menos os empresários
brasileiros, através do capital privado nacional, tinham condições financeiras
suficientes para alavancar de forma eficaz todos os ramos da indústria de base.
Além disso, o parque industrial brasileiro ainda carecia de um importante
setor: o de bens de consumo duráveis, que necessitam de alto investimento
econômico e tecnológico. Por fim, a nossa industrialização ainda era
espacialmente restrita, estando concentrada em pequenas porções do território nacional,
assim como continuava a existir um baixo nível de integração entre as regiões
brasileiras. De qualquer forma, o capitalismo brasileiro prosseguia no caminho
do desenvolvimento industrial.
Nesse sentido, o governo JK deu
continuidade à política de substituição de importações iniciada por Vargas, mas
com um novo componente: a abertura da economia para a entrada de capitais
estrangeiros em larga escala. Juscelino pretendia pôr em prática um Plano de
Metas, cujo slogan era o de desenvolver o Brasil “50 anos em 5”. Com isso,
visava tornar o país interessante para os investimentos estrangeiros, tidos
como necessários para implementar as indústrias de bens de consumo
duráveis.
Desta forma, foram feitos maciços
investimentos estatais em infraestrutura e em setores diversos da economia, com
destaque para as áreas de energia e transportes, que sozinhas receberam 73% dos
capitais públicos aplicados. E como resultado, ocorreu uma expressiva entrada
de investimentos privados estrangeiros no país, principalmente nos setores
químico-farmacêutico, automobilístico e de eletrodomésticos.
Sendo assim, a economia
industrial brasileira passava a se basear em três diferentes tipos de produção
industrial e fontes de recursos: as indústrias de bens de consumo não-duráveis,
que foram as primeiras a se desenvolverem em solo nacional, ainda no século
XIX, e que eram sustentadas pelo capital privado nacional, ou seja, pelos
empresários brasileiros; as indústrias de bens de produção e de bens de
capital, criadas com capital estatal a partir do governo Vargas e assim
mantidas por Kubitschek; e as indústrias de bens de consumo duráveis, criadas
principalmente com recursos vindos de empresas multinacionais, ou seja, pelo
capital privado estrangeiro. Consolidava-se assim o Tripé Econômico ou Tripé da
Produção Industrial Nacional.
Tripé
da Produção Industrial Nacional
Ou seja: Durante o governo JK a
economia se consolidou com base em um tripé, sendo que dois dos capitais
aplicados e dos tipos de indústrias já existiam no Brasil. Logo, a novidade foi
a chegada do capital privado estrangeiro e das indústrias de bens de consumo
duráveis, até então pouco expressivas no país.
Portanto, o período JK é
caracterizado por uma internacionalização da industrialização brasileira, que
somada à forte atuação estatal, foi responsável por expandir o parque
industrial brasileiro e gerar um período de intenso crescimento da economia. Em
seu governo, houve uma política de integração nacional através de rodovias, bem
como a transferência da capital para o Centro-oeste e um planejamento econômico
para o desenvolvimento de outras regiões, materializado através da criação da
Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Contudo, a
concentração industrial continuou a se aprofundar na região Sudeste,
intensificando as migrações interregionais e fazendo com que, especialmente no
Rio de janeiro e em São Paulo, passasse a ocorrer uma urbanização desordenada.
Ademais, os altos gastos públicos por conta do Plano de Metas levaram a um
significativo aumento da inflação e da dívida externa, o que representaria um
desafio para seus sucessores.
Cultura
dos imigrantes
Os imigrantes deixaram
contribuições importantes na cultura brasileira. A história da imigração no
Brasil começou no ano de 1808, com a abertura dos portos às nações amigas,
feita por D. João.
Para povoar o território, vieram
famílias portuguesas, açorianas, que se estabeleceram no Rio Grande do Sul.
Vieram ainda suíços, prussianos, espanhóis, franceses, sírios, libaneses,
poloneses, ucranianos, japoneses e italianos.
O grande destaque, no entanto,
foram os italianos e os alemães, que chegaram em grande número. Eles se
concentraram nas regiões sul e sudeste do país, deixando importantes marcas de
suas culturas, principalmente na arquitetura, na língua, na culinária, nas
festas regionais e folclóricas. A
cultura vinícola do sul do Brasil se concentra principalmente na região da
serra gaúcha e de Campanha, onde predomina descendentes de italianos e alemães.
Na cidade de São Paulo, em virtude
do grande fluxo de italianos, surgiram bairros como o Bom Retiro, Brás, Bixiga
e Barra Funda, onde é marcante a presença de italianos, seus aspectos culturais
e seus restaurantes com as comidas típicas como a macarronada, a pizza, a
lasanha, o canelone, entre outras.

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